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STP aposta na estratégia 100% Bio para acelerar a transição para uma sociedade sustentável

Categoria: Economia | Data: 10/09/2026



São Tomé e Príncipe aposta na estratégia 100% Bio para acelerar a transição para uma sociedade sustentável


A visão São Tomé e Príncipe 100% Bio pretende transformar a sustentabilidade numa estratégia nacional, integrando agricultura, segurança alimentar, biodiversidade, emprego, turismo, ambiente e economia azul. O projeto RETSA deverá constituir uma das principais plataformas de operacionalização desta visão.


São Tomé e Príncipe assumiu uma escolha estratégica de avançar para uma transição nacional rumo a uma sociedade sustentável, colocando a valorização dos recursos naturais, a segurança alimentar, a criação de emprego e a soberania no centro da agenda de desenvolvimento do país.

A visão São Tomé e Príncipe 100% Bio pretende integrar diferentes áreas de intervenção numa estratégia nacional comum, deixando de tratar a produção alimentar, a proteção ambiental, a adaptação às alterações climáticas e o desenvolvimento rural como agendas isoladas.

Durante a apresentação da iniciativa, o Ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, Nilton Garrido, destacou a necessidade de construir um sistema agroalimentar capaz de produzir mais e melhor, gerar rendimento para as famílias e, ao mesmo tempo, preservar os recursos naturais.

Segundo o governante, a concretização desta visão exige maior coerência entre as políticas públicas e os investimentos dos parceiros de desenvolvimento.

Neste contexto, o Governo preparou uma proposta de reforço do sistema agroalimentar sustentável, a ser submetida ao Global Agriculture and Food Security Program (GAFSP).


RETSA como plataforma de operacionalização


O projeto RETSA é apresentado como uma plataforma para acelerar a transição agroecológica e transformar a visão 100% Bio em experiências, capacidades e investimentos concretos nos territórios.

A iniciativa pretende promover uma maior territorialização das intervenções, fortalecer as cadeias de valor e melhorar a coordenação entre os diferentes atores envolvidos no sistema agroalimentar.

Nilton Garrido defende que, para além do financiamento, São Tomé e Príncipe necessita de conhecimento, tecnologia, inovação, capacitação e coordenação para concretizar os objetivos definidos.

Na mesma linha, a estratégia deve partir dos próprios ativos naturais e culturais do país.

Florestas, biodiversidade, sistemas agroflorestais de cacau, recursos costeiros, pesca, água, sol, clima e comunidades são apontados como elementos que podem gerar maior valor quando articulados e transformados pelas populações nos diferentes territórios.

Para Francisco Sarmento, a agricultura desempenha um papel fundamental na conexão entre os territórios, os produtores e os consumidores, mas também na ligação com outros setores estratégicos da economia.

A transição agroecológica deverá, assim, estabelecer pontes com o turismo, a saúde, a educação, o ambiente e a economia azul.

A visão 100% Bio contempla ainda áreas como nutrição, abordagem One Health, educação, competências, cultura, clima, biodiversidade, energia, resíduos, indústria e emprego.

O RETSA será, nesta fase, uma primeira plataforma de convergência, aberta à participação dos parceiros de desenvolvimento e dos diferentes atores nacionais.

A ambição é que a estratégia São Tomé e Príncipe 100% Bio ultrapasse os limites de uma única candidatura ou projeto e se transforme num verdadeiro pacto nacional, capaz de alinhar políticas, investimentos, territórios e parceiros em torno de uma visão comum.

O objetivo final é utilizar os ativos naturais e alimentares do país como base para gerar saúde, emprego, identidade, resiliência, inclusão social, proteção ambiental e soberania alimentar.


Euclydes Amadeu